30 de mar. de 2014
"Agora que nós somos dois amantes, cinzas...."
27 de jan. de 2014
Cuidadosamente.
23 de jan. de 2014
Quero assim... rs
Não quero que você
Seja mais um fiel (ou cruel...)
Que construa castelos de vento
Nem diga que me ama
Um tanto assim
Quero de você
O que quero pra mim
Que permita um tanto,
Aceite outro pouco,
Quero que deite do meu lado (inteiro, calado)
E não se assuste
Se a paixão chegar
Tomar, sugar, arrepiar.
E se a paixão vier, deixar
Desconstruir todas as verdades
Desnortear todas as bússolas
Desacertar todos os relógios
Quero que não brigue
Se eu for bem perto
E beijar por dentro
Seu coração
Quero que perceba
se os relógios congelarem
em nosso beijo
e não assuste
se acelerar um pouco mais o coração
E na boca
Umedecer seus lábios
Com um veneno original
(bem meu, receita própria)
Para morte lenta, suave
E inesquecivelmente feliz.
- Porque, às vezes, (e só às vezes) também se morre de alegria.
9 de jan. de 2014
Porque Sim.
"Ah, se já perdemos a noção da hora..."
E no intervalo, o amigo se queixava:
- Gosto dela. O problema é essa presa... É como se ela me dissesse: “tá... pronto! Vai ser com você: e VAMO LOGO.” Sabe como é?
Sim, ela sabia. Pressa era um sentimento bastante familiar. Pensou em como essa tal e específica pressa feminina assusta os homens, enquanto a maioria das mulheres passa tanto tempo procurando ouvir justamente o“vamo logo” de alguém que elas verdadeiramente se interessem. Nos sonhos dourados femininos, esse alguém de quem se gosta vem com toda a pressa, diz que ama, que não consegue ficar longe... não?
Ah, sim, os tempos estão mudando... Mas olhava em volta e ainda via balões cor-de-rosa, inflados com pensamentos e ideais do amor romântico.
Pensou na sua própria pressa. Pelo que tinha pressa, na verdade?
Sua pressa mudava o foco e já nem estava mais no mesmo lugar desde a última vez que a procurou. Pensou na alegria de estar exatamente onde estava e em todos os percalços que a trouxeram, pensou que sua pressa era medo, que seu medo era controle – ou a falta dele –, pensou que a solidão, a pressa, o medo, o controle, e tudo mais que tentava não ver só a perseguia (e com mais pressa!), cada vez que tentava fugir.
Lembrou do amor grand hotel, da paixão atropelada pelo caminhão e transformada em ‘bom dia’. Da paixão que ela achou que viveria para sempre. Lembrou que Iaiá era apenas um retrato tirado por alguém que pecou na vontade e se atirou, depois de óbvios utópicos beijos e de constatar que “prever serviu pra eu me enganar”. Iaiá, tão invisível quanto a mulher do filme, projetada milimetricamente, como uma capa de chuva - mas para proteger do amor e suas dores, formatada para poupar seu criador de toda a angústia da pressa (ou da falta dela), de todas as tolices que pertencem ao mundo dos que se apaixonam.
Ela ainda era 'de paixões' e não pretendia mudar. Se seus passos tornaram-se mais lentos, porém, ao longo do caminho, e se a paisagem lhe trazia novos ângulos e sons, sentia-se disposta a seguir.
De longe, ouvia: "- Não se engane, sangue quente corre em suas veias, e a própria natureza não cabe mudar".
Mas há no peito um coração de muitas canções e muitos ritmos – e no olhar a disposição para enxergar um pouco além e, quem sabe, dançar novas músicas.... (talvez, até, um pouco mais lentas).
Referências, citações e créditos:
Foto: http://super.abril.com.br/blogs/como-pessoas-funcionam/por-que-as-vezes-tempo-voa-e-outras-vezes-se-arrasta/
Grand Hotel (George Isarael e Paula Toller)
Retrato pra Iaiá (Rodrigo Amarante)
A mulher invisível (Cláudio Torres)
27 de dez. de 2012
Bastava mesmo só um beijo? - pensou, mordendo os lábios... Sentia ainda o corpo vibrar, frenesi do beijo adolescente, o beijo, o re-contato. O beijo beijado, sonhado por tantas noites, beijo abandonado (do qual desistira de vez!), o beijo que já até aceitava que não viria mais. Foi o beijo esperado mais alheio às suas expectativas!
Era como se voltasse no tempo.
Voltou no tempo, à época em que tudo entre os amantes tinha um tempo certo: sorrisos, conversas pausadas, suspiros, mãos que se tocavam “acidentalmente”, olhares flertivos, elogios tímidos... O delicioso intervalo entre os encontros. O tempo-obstáculo que trazia saudade e vontade de nunca afastar. O tempo-romance que fazia durar cada palavra, cada perfume da presença alheia, quando bastava fechar os olhos para sentir de novo, para ver... O tempo anti-tecnológico, não interrompido por ligações, torpedos, e-mails... Ah, sim, o curioso tempo entre hoje e amanhã, o desejo de mais, a dúvida da reciprocidade. Ou a certeza da mágica que reúne as pessoas ao longo do tempo.
E o que fazer com aquele beijo? Esquecer? Guardar? Encontraram-se antes e decerto encontrariam-se depois, mas agora, entre eles, havia o beijo.
Por um minuto teve medo. Sentia medo do gosto feliz nos lábios, do coração transbordando, medo da mão acarinhando o cabelo. Medo de sentir o que quer fosse que não fizesse sentido...
Fechou os olhos. Voltou no momento exato que se encontraram, sentiu de novo exatamente quando... Sorriu da ironia. Aquele único beijo foi incrivelmente repetido.
23 de jun. de 2012
"Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo..."
Por vezes dançamos errado
E se sou demais
Foto: http://lolasaraiva.wordpress.com/2011/09/18/a-lembranca-das-vezes-que-dancamos-juntos/
7 de abr. de 2012
"Eu tranco a porta pra todos os gritos. E o silêncio também está lá fora..."
Sem explicação, procurava por chaves a todo momento.
É a curiosidade pela própria sombra, pela escuridão dos passos seguidos, quando o andar parece desmotivado ou esmo; pelas palavras não proferidas, ou pelas gastas de tanto usar, mas que não saberia de onde vieram; pelos gestos que negava externar ou pelo que quer que conduzia seus gestos mais cotidianos e banais.
Todos trazem suas portas lacradas, suas caixinhas de reserva: temidas, ignoradas, disfarçadas. E tantas vezes repetia: não há mais nada o que procurar.
No entanto, no mais inusitado dos momento, recorreria as suas portas secretas, acessaria o seu escudo e suas armas, lutaria como uma total desconhecida, com forças nunca antes vistas, com vigor nunca antes sentido, capaz do que nunca pensou ser capaz.
E no entanto, sempre que se sentisse derrotada, recorreria as suas portas secretas, acessaria um arsenal de ataduras, ungüentos, colírios, antídotos - técnicas milenares para recuperá-la e trazê-la de volta do mais profundo dos profundos.
Naquela tarde, perdeu a conta do quanto de si escoou por esquecer suas portas entreabertas. Admirava as portas bem trancadas, anti-pressão, anti-vácuo, anti-bisbilhotagens. Portas hermeticamente fechadas, como se diz por aí.
Sim, estava sempre a procurar por chaves e quase nunca trancava suas portas. Exceto aquelas que trancava para si mesma.
Crédito da foto: Henrique Nardi (http://abaribo.blogspot.com.br/2009/06/paula-orsi-cruz-porta-entreaberta.html)
2 de nov. de 2011
Uma vírgula, e ponto de seguimento...
6 de set. de 2011
Como se não bastasse.
10 de mai. de 2011
Porque Vinicius disse pra mim... (em sussurros)

AMOR
Vamos brincar, amor? vamos jogar peteca
Vamos atrapalhar os outros, amor, vamos sair correndo
Vamos subir no elevador, vamos sofrer calmamente e sem precipitação?
Vamos sofrer, amor? males da alma, perigos
Dores de má fama íntimas como as chagas de Cristo
Vamos, amor? vamos tomar porre de absinto
Vamos tomar porre de coisa bem esquisita, vamos
Fingir que hoje é domingo, vamos ver
O afogado na praia, vamos correr atrás do batalhão?
Vamos, amor, tomar thé na Cavé com madame de Sevignée
Vamos roubar laranja, falar nome, vamos inventar
Vamos criar beijo novo, carinho novo, vamos visitar N. S. do Parto?
Vamos, amor? vamos nos persuadir imensamente dos acontecimentos
Vamos fazer neném dormir, botar ele no urinol
Vamos, amor?
Porque excessivamente grave é a Vida.
*foto extraída do site: http://diamantesdeacucar.blogspot.com/2010/06/ser-feliz.html
Porque não?
Porque pra mim o tempo não passa,
Porque me inspiro como respiro
Porque saudade se tem até de perto
Mas você não me parece tão distante
Porque desejo acordar nos seus braços
Porque conheço detalhes de seu riso
Porque um sonho pode ser só mais um
Mas sinto você, bem real
Porque nossas realidades se encontraram
Porque foi no mais exato e especial lugar
Porque não sei se foi só mais um golpe da magia
Mas é por você, e só você, que me encanto.
7 de mai. de 2011
O mundo aos meus pés...
Eram pés cheios de calinhos. Não que desgostasse, pois não se reclama de pés tamanho 34, ensejadores oficiais de elogios fofos dentro e fora dos sapatos.
Seus calinhos eram o que eram: marcas secas de longas caminhadas, discretas rachaduras, do tempo, das pegadas firmes, das mal pisadas, cicatrizes próprias de suas escolhas.
Ainda assim, resolveu livrar-se deles. Verdadeiras damas têm pés finos, macios, agradáveis, pele suave e hidratada em todos os pedaços.
Ora, os seus calinhos destoavam dos standart atual de delicadeza feminina. Era preciso enquadrar-se, curvar-se aos moldes adocicados de beleza, assim como seus não tão finos pés.
Marcou consulta. Um especialista. Analisou calo a calo, linha a linha, impressionado. Parecia mesmo assustado. Meus pés, me olhavam ainda mais assustados. Era um de dia difícil para eles.
Acalmei-os. O especialista ajudou: massagens e cremes perfumados, refrescantes... até a lixa foi gentil com eles.
Sai feliz e satisfeita. Tinha pés como os das mais belas, pés de artistas de cinema! Uau!
Uau! Uau, au, auuu, ai, ai, aiiii, poxa vida!
Como dói.
Foi isso. Meus sapatos me detestam. Todos, todinhos, só restaram umas velhas havainas, porque elas não odeiam ninguém, coitadas.
Era como se tivesse desaprendido a andar, de tão desajeitada que fiquei. Ai! Outro pedacinho que se contorcia, as voltas com as tiras de minhas sandálias vermelhas: lindas e cruéis.
Meus pés retrucaram. A cruel era eu. Lapidadora injusta de calinhos de proteção!
Quem mandou tentar andar com pés dos outros?
"Você me ama exatamente como eu gostaria..."
7 de abr. de 2011
"- E você nem sabia que podia gostar assim"

Não me culpe
pelos beijos que já não irá receber.
Nem pelos dias, pelas estórias,
Não me culpe pela falta de ar
ou de vida em sua vida.
Não escolhi te deixar,
Segui em frente: a mesma trilha
Mesmos passos, mesma intenção
Mesma cor de olhos que tive quando te vi.
Cada brilho nosso se perdeu
Entre pedras e moinhos,
Entre ondas, furacões,
Ficamos sós em longas noites,
Por curtos dias, pelo pouco espaço,
Na imensidão.
Não, me culpe.
Não fui eu, mas o amor -
que me levou.













