30 de jan. de 2006

"Rápido, com quem rouba...."

07/10/2005
Eles corriam. E seus passos seguiam as batidas aceleradas de seus corações, acelerados. E o que era distante, difícil, o que havia de medo, de incerto – tudo isso era, então, perto. Tudo era certeza, a sintonia dos caminhos, era a música que tocava e a dança que faziam...

Eles andavam. E seus passos eram soltos e leves, naturalmente. Podiam ver as flores pela estrada, porque havia tranquilidade e havia tempo. Havia amor. Ainda assim, distraiam-se pelo caminho, e por vezes perdiam-se, desvencilhavam-se em grandes curvas, mas que se faziam paralelas novamente, na esperança de encontrarem o compasso mais certo...

Mas o ritmo do coração foi se perdendo e cada passo não era mais conjunto, e às vezes o riso era só, a estória era só, a casa... Já não ouviam o zunido, não arrepiavam, não saboreavam da presença um do outro... Eles eram, mas não se sabe bem porque. Apenas estavam. E quando o telefone não tocava, a mensagem não chegava, quando extinta toda a possibilidade de se verem ou falarem, eles lembravam.

E passavam juntos-separados, todos os dias, lembrando dos passos da corrida ritmada, da feliz angústia de arriscar alto, do não temer irresponsável. Eles lembravam e sabiam, porque cada pedaço do corpo dizia.

Eles sofriam a perda por estarem juntos e terem desaprendido a amar.

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