
Não sei se vai funcionar, porque nunca tentei isso antes, mas bem, vivendo e aprendendo. Rs.
Se funcionar, o link abaixo será um guia pro download de um LINDO cd.
Lindo mesmo.
Não procure a verdade no meio das palavras. Palavras são ricas, densas e lindas, lidas apenas assim: como palavras. Se quiser procurar algo, procure espelhos. Ou sentimentos. Procure qualquer coisa, menos a mim. Estão aqui palavras e estórias. Minhas, suas, alheias. "Eu" vou muito além de palavras, muito além de estórias... deixe-me, por favor, chamá-las pura e simplesmente: palavras.
Música de fundo: Aquele frevo axé. Na voz de Vânia e Quintanilha.
"Veja onde a gente se achou
Estrelas já vão luzir
Na noite da baía preta
Queria tanto você aqui
Que fazer?..."
E foi assim, bem naquele segundo, que deixou de sentir-se patética. Não, não sentia mais vergonha, pelo contrário. Sentia até certo orgulho, espécie de prestígio em sua atitude.
De ter corrido, chorado, descido degrau por degrau da escada. Sim! Era ela. Era seu desejo, sua vontade ali. Estava feliz por não tê-lo deixá-lo partir sem antes dizer. Sem tentar. Ficou feliz porque não engoliu tudo num gélido “ok”. Fico feliz por não ser mais uma dessas mudas, intoxicadas pelas dores e amores da vida. Por não ser mais uma das que ignora, das que disfarça, das que fingem. Mais uma das que não descem escadas.
Porque para entender da subida, meu bem, é preciso descer de quando em quando. Porque pra ser feliz, só às vezes, é preciso não desistir na primeira parada.
A noite passou rápido. Sentiu seus olhares cruzarem algumas vezes. Poucas vezes. Não estava pronta para olhares cruzados. Eles sequer se tocaram. Mas não estava pronta para ir embora.
Resolveram parar o carro, conversar. A verdade é que, naquele momento, ele era a única pessoa perto de quem ela desejava estar. Aquele era o único lugar no planeta onde ela gostaria de estar, e essa é uma das melhores sensações do universo... Assim, sem maiores explicações, tinha algo no seu jeito de tratar que acalmava seu coração, a deixava segura. Não demorou muito para que ele fosse a primeira pessoa em quem pensava antes de dormir, a primeira que lembrava ao acordar. O autor das mensagens que davam sabor ao seu dia. Que a fazia desejar ansiosa o dia seguinte. Assim, só pra saber o que viria pela frente.
Não tinha muitas certezas. Mas lembrava exatamente do segundo em que soube. Porque como tudo mais na vida, tem sempre aquele segundo em que você sabe.
Então, ele disse: - sei bem que não sou o que a maioria das mulheres considera um bom partido. Não tenho um carro importado, ainda moro com minha mãe. Tenho um filho. Não estou no auge da minha carreira. E seguia. “Não” isso, “não” aquilo... Ela ouvia atenta, meio séria, e achou engraçado sentir que seu coração sorria naquele momento. Sorria, meio até gargalhava, e tinha essa vontade gigante de abraçá-lo apertado. Tinha vontade de gritar todas as coisas lindas que poucas horas de seu lado a fizeram sentir. Seu coração era tudo que ela tinha de partido. Ele era a sua maior alegria. Naquele segundo, ela soube.
- quero namorar com você.
- comigo?
- sim.
- tem certeza?
- sim.
(...)
Ela sempre adorou o fato de algumas pessoas realmente usarem a palavra “sim”.
Nesse momento, ele era a única pessoa assim que ela conhecia.
Começou ali.
Pensou. Ou ele disse?
Não importa. O fato é que começou ali, naquele sofá. Ela entregou o livro para que ele passasse o tempo, esquecendo dos ares quase-que-bem-que pornográficos de um ou outro conto.
Ele gostou. A cena nunca mais repetiu, como tinham tantas vezes imaginado, mas naquele dia, aquela cena, ele lia, sorrindo.
Começou ali, portanto, o livro e seu autor como uma espécie de padrinho de um beijo que poderia, de um amor que poderia, de tudo que foi e agora acabou.
Achou engraçado, quando, fuçando as coisas durante a sua própria fossa, achou trechos dele, espalhados, contando sua dor. Era como se o autor estivesse ali, agora, no sofá do seu lado, revoltado pelo fim do relacionamento que tinha tido o gosto de abençoar.
Em sua homenagem, portanto, ou usando disso como desculpa para valer-se das palavras do autor, para extravasar seu instante, copiou, incansável, as palavras que lhe dizia.
Overdose daquele que seria, para sempre, seu melhor padrinho.
Sempre dói, mas sempre passa.
E ela sabia. Sabia e lembrava todas as vezes que doeu, sem que isso significasse absolutamente nada agora. Da última vez foi pior. Foi? Não sabia. De certa forma, lembrava o estrago (noites mal dormidas, seguidas de dias cansados, horas lentas demais, ora longas demais, nada de fome, vontade de comer o mundo. Lágrimas. Muitas lágrimas...), mas não conseguia comparar nada com o aperto que sentia agora. Hoje, seria a pior dor de sempre. Viu como passa? Não lembra a dor do estrago...
Pensar nisso, porém, (e repita-se), não estava ajudando nada. Deveria, tudo bem, - mas não estava.
E daí se estava perdida, e daí se queria tentar uma nova profissão a cada segundo, e daí se nos minutos seguintes continuava na mesma profissão, imaginando como seria se tivesse mudado no segundo anterior? As respostas não estavam nele, isso decerto. Aliás, estas respostas aparentemente não estavam em lugar algum. Exatamente como ela, vagando nesse vácuo intertemporal que inventou para passar a chuva. Você está mesmo aqui, querida? Porque me parece estar longe... em algum outro lugar. Mais uma vez: exatamente.
Perguntou-se, por fim. Se as respostas não estão em lugar algum, e eu estou em lugar algum, elas deveria estar bem por aqui........................ hum?
Nada como mais um dia sem hipocrisias.