2 de nov. de 2011
Uma vírgula, e ponto de seguimento...
6 de set. de 2011
Como se não bastasse.
10 de mai. de 2011
Porque Vinicius disse pra mim... (em sussurros)

AMOR
Vamos brincar, amor? vamos jogar peteca
Vamos atrapalhar os outros, amor, vamos sair correndo
Vamos subir no elevador, vamos sofrer calmamente e sem precipitação?
Vamos sofrer, amor? males da alma, perigos
Dores de má fama íntimas como as chagas de Cristo
Vamos, amor? vamos tomar porre de absinto
Vamos tomar porre de coisa bem esquisita, vamos
Fingir que hoje é domingo, vamos ver
O afogado na praia, vamos correr atrás do batalhão?
Vamos, amor, tomar thé na Cavé com madame de Sevignée
Vamos roubar laranja, falar nome, vamos inventar
Vamos criar beijo novo, carinho novo, vamos visitar N. S. do Parto?
Vamos, amor? vamos nos persuadir imensamente dos acontecimentos
Vamos fazer neném dormir, botar ele no urinol
Vamos, amor?
Porque excessivamente grave é a Vida.
*foto extraída do site: http://diamantesdeacucar.blogspot.com/2010/06/ser-feliz.html
Porque não?
Porque pra mim o tempo não passa,
Porque me inspiro como respiro
Porque saudade se tem até de perto
Mas você não me parece tão distante
Porque desejo acordar nos seus braços
Porque conheço detalhes de seu riso
Porque um sonho pode ser só mais um
Mas sinto você, bem real
Porque nossas realidades se encontraram
Porque foi no mais exato e especial lugar
Porque não sei se foi só mais um golpe da magia
Mas é por você, e só você, que me encanto.
7 de mai. de 2011
O mundo aos meus pés...

Eram pés cheios de calinhos. Não que desgostasse, pois não se reclama de pés tamanho 34, ensejadores oficiais de elogios fofos dentro e fora dos sapatos.
Seus calinhos eram o que eram: marcas secas de longas caminhadas, discretas rachaduras, do tempo, das pegadas firmes, das mal pisadas, cicatrizes próprias de suas escolhas.
Ainda assim, resolveu livrar-se deles. Verdadeiras damas têm pés finos, macios, agradáveis, pele suave e hidratada em todos os pedaços.
Ora, os seus calinhos destoavam dos standart atual de delicadeza feminina. Era preciso enquadrar-se, curvar-se aos moldes adocicados de beleza, assim como seus não tão finos pés.
Marcou consulta. Um especialista. Analisou calo a calo, linha a linha, impressionado. Parecia mesmo assustado. Meus pés, me olhavam ainda mais assustados. Era um de dia difícil para eles.
Acalmei-os. O especialista ajudou: massagens e cremes perfumados, refrescantes... até a lixa foi gentil com eles.
Sai feliz e satisfeita. Tinha pés como os das mais belas, pés de artistas de cinema! Uau!
Uau! Uau, au, auuu, ai, ai, aiiii, poxa vida!
Como dói.
Foi isso. Meus sapatos me detestam. Todos, todinhos, só restaram umas velhas havainas, porque elas não odeiam ninguém, coitadas.
Era como se tivesse desaprendido a andar, de tão desajeitada que fiquei. Ai! Outro pedacinho que se contorcia, as voltas com as tiras de minhas sandálias vermelhas: lindas e cruéis.
Meus pés retrucaram. A cruel era eu. Lapidadora injusta de calinhos de proteção!
Quem mandou tentar andar com pés dos outros?
"Você me ama exatamente como eu gostaria..."
7 de abr. de 2011
"- E você nem sabia que podia gostar assim"

Não me culpe
pelos beijos que já não irá receber.
Nem pelos dias, pelas estórias,
Não me culpe pela falta de ar
ou de vida em sua vida.
Não escolhi te deixar,
Segui em frente: a mesma trilha
Mesmos passos, mesma intenção
Mesma cor de olhos que tive quando te vi.
Cada brilho nosso se perdeu
Entre pedras e moinhos,
Entre ondas, furacões,
Ficamos sós em longas noites,
Por curtos dias, pelo pouco espaço,
Na imensidão.
Não, me culpe.
Não fui eu, mas o amor -
que me levou.