2 de nov. de 2011

Uma vírgula, e ponto de seguimento...





Sim, sim, sim! - gritava para si mesma. 
- Sou uma mente confusa...

Por vezes desejava sentir uma certa solidariedade emocional, a compaixão dos que sofrem ou se lambuzam de amores tórridos, dos que temem, dos que nunca temem, dos que se entregam, dos que se esfregam...

De outras, desejava ser apenas. Apenas, assim, unicamente, exclusivamente, ela. Desejava escapar do medonho roteiro de ser mais uma, personagem esquecível em um mundo cheinho de esquecimentos...

E lembranças? O que faria então com sua memória elefante? Esqueceria realmente todo o esquecível, classificaria “esquecibilidades”, escolhendo o que ou não guardar em uma caixa antiga de recordações?

Devia ater-se a caixas e caixas de lembranças lindas, ou soltá-las em bolas de sabão, balões de gás,  daqueles que nunca, nunca se sabe onde irão chegar...?

Era a primeira vez que ele falava daquele jeito. Ou, talvez, não fosse esta a primeira vez, mas certamente sentia-se como se fosse.

Ele, no seu mundo trancado a cadeados, carregando nos olhos o mistério dos que pouco falam, dos que escondem pensamentos em abismos mais fundos do que os acessíveis ao mais X dos X-men, mas, contudo (ela sabia...) sentindo – e carregando sentimentos mais “tagarelas” do ela própria poderia falar, porque ele sentia tanto, porque aqueles olhos despejavam mares, rios inteiros, e pôr-do-sol, e noites de lua, e cânticos, e poesia...  

Era a primeira vez que ele falava daquele jeito. Ou, talvez, não fosse esta a primeira vez, mas certamente sentia-se como se fosse.