10 de mar. de 2009

"E você, será que canta calada aquele frevo axé?..."


E na manhã seguinte, vitória decretada, com um simples telefone tocando às oito da manhã... Salvem-se todos, monstrinhos e pesadelos, foi um príncipe, lindo e imperfeito, imperfeito e lindo, que veio em meu resgate. Não, não acho que corria perigo. Talvez, sozinha, pudesse ganhar bem esta guerra...

Mas quem se cansa de príncipes e resgates, que se cansa de demonstrações espontâneas de carinho? Quem vai reclamar de um pouco de atenção? (Não eu, que saiba... rs).

Só posso jurar que foi uma bela vitória, Palcar de 2 x 0, contra meus fantasmas, e que ambos os gols foram tudo de bom.

Exatamente como você na minha vida. A diferença é que eles foram (pelo menos agora, rs).
Você está.

"Pra mudar minha vida"

E ainda tenho tanto pra conhecer da sua alma. E você ainda tem tanto pra conhecer da minha. E eu não consigo tirar dos lábios o sorriso que você deixou quando saiu. Lembro e relembro os detalhes das nossas conversas ontem, como você foi se revelando, cada palavra, cada olhar, você, lindo, tão perto...

Lembrei de cada estória minha, de cada dor pelos relacionamentos que se foram e pelas coisas que jamais vou poder voltar atrás e reverter, por cada erro, cada angústia, toda intensidade, as entregas, as perdas. Tudo vem como um caminho trilhado até você, tudo vem como passos marcados (algumas curvas, muitos tropeços), todos para que estivéssemos agora, no exato agora, eu, você, e a bagagem que pretendo mandar embora (ficar leve, sem peso, sem passado...). Ficar mesmo só com passos, as estórias ensinadas por cada cicatriz, e com o coração em paz, o que é tudo que quero deixar perto de você e te pedir para cuidar, sempre.

Foi seu, sim, o sorriso que vi brilhando quando me afastei desse mundo de gente raivosa, foi você, meu pôr-do-sol... (será que ainda vai lembrar da tradução da música? rs.) Ou digo apenas que o sol não se pôs, nem nasceu pra mim nesta noite. Meu sol, a noite, o dia, tudo foi só você, e você foi, constante.

“... pra recomeçar...”

Ps – “E o povo tá que fala...” kkkkk.... (não resisiti!)

9 de mar. de 2009

"Além da brincadeira..."


Era um cenário épico.

Medieval.

Entraram juntos, fugindo da festa, do barulho, da música estridente que tocava lá fora.

Ela princesa, (ou cortesã - já não se sabe bem, pois que gostava de passear entre suas próprias facetas, entre as fases da lua. Talvez princesa. Talvez não só...) e seu príncipe - mascarados, desconhecidos.

Irresistível se encontrarem exatamente ali. Escondidos, pareciam seguros, apesar dos barulhos do outro lado da porta, apesar deste certo receio dela de que seriam, a qualquer momento, descobertos, de que o relógio bateria meia-noite (ou meio-dia), penderiam-se as máscaras, não teriam mais fantasias...

Agora, já era bem tarde. Ambos haviam bebido da mesma taça, e, embriagados de carnaval, caiam cansados, lado a lado, tombando num sono profundo e com sonhos.

Ele a abraçou apertado. Ela respirou profundo. Dormiam o sono dos anjos, em outro tempo, outro espaço, onde ela sentiu-se segura e querida, onde ele se sentiu a salvo, cansado das guerras e batalhas, onde ele pôde parar de se preocupar e, simplesmente, dormir.

Durante a noite, em alguns momentos, ela abriu os olhos encantados e pensou no dia seguinte. Como seria, como ele seria, sem máscaras, sem fantasia, como seria seu príncipe encantado quando os relógios acelerassem, quando o tempo fosse aquele mesmo outra vez, novo, velho, quando acabasse o mistério e a névoa que envolve todos os amores que mal se conhecem, quando o relógio batesse a hora marcada e terminasse o feitiço?

Será que ainda gostariam um do outro? Será que aquele lugar, aquele abraço apertado no meio da noite ainda seria o lugar onde ambos desejariam, mais do que em qualquer outro, estar?

Ela não teria as respostas. Não ainda. Sabia só que aquele era seu lugar agora. Sabia que acordariam, que o carnaval seguiria, que as músicas tocariam e multidões os guiariam para outros e outros lugares. Sim, se afastariam.

A manhã seguinte, assim como o dia seguinte - incógnitas. Todo o futuro – incerto, como todo e qualquer futuro sabia ser, aliás.

E, naquele segundo, ela amou a incerteza, tanto quanto amou aquele abraço, tanto quanto amou seu sono longo e profundo... não havia expectativa, não havia promessa, não havia garantia.

Havia apenas isto: uma constatação: depois de profundas noites de tristeza, imersa em si mesma, ela estava ali, ao seu lado. E ela sorria.

Ele era presente. E presenteavam-se com suas presenças e com a paz de seu sono.


Ps - " de pierrot e colombina..." rs.
" E quando deitamos e relaxamos nosso corpo, podemos sentir intensamente. Físicos e teóricos a chamam de força da gravidade. Nós a sentimos como colo. É o colo da mãe terra, no mais profundo acolhimento."*


E tantas vezes que precisei de colo sem notar o quanto poderia ser simples...


* Um dos ensinamentos nas meditações da Hatha Yoga.

8 de mar. de 2009

Sempre dói, mas sempre passa.

E ela sabia. Sabia e lembrava todas as vezes que doeu, sem que isso significasse absolutamente nada agora. Da última vez foi pior. Foi? Isso já não sabia... De certa forma lembava o estrago - noites mal dormidas, seguidas de dias cansados, horas lentas demais, ora longas demais, nada de fome, vontade de comer o mundo. Lágrimas. Muitas lágrimas. Mas não conseguia comparar nada com o aperto que sentia agora. Hoje, seria a pior dor de sempre.

Viu como passa? Você nem lembra direito a dor do estrago...

Pensar, porém, não estava ajudando nada. Deveria, ok, mas não estava.

E daí se ela estava perdida, e daí se queria tentar uma nova profissão a cada segundo, e daí se nos minutos seguintes continuava na mesma profissão, imaginando como seria se tivesse mudado no segundo anterior? As respostas não estavam nele, isso decerto.
Aliás, estas respostas aparamentemente não estavam em lugar algum. Exatamente como ela, vagando neste vácuo intertemporal que inventou para passar a chuva.

Você está mesmo aqui, lindinha? Porque parece estar longe... em algum outro lugar.
Mais uma vez: exatamente.

Perguntou-se, por fim: se as respostas estão em lugar algum, e eu estou em lugar algum, elas deveria estar bem por aqui....
A gente podia se "bater" por ai. Hum?

Nada como mais um dia sem hipocrisias.

7 de mar. de 2009

Vamos celebrar a estupidez humana?



Gente,
Com tem maldade nesse mundo...
Tá, vou contar a estória e ai vocês chegam a suas próprias conclusões.

Era uma vez um menino e uma menina que namoravam há muito, muito tempo.

Um dia os dois se chatearam e tiveram uma briga feia. A menina estava muito triste e confessou sobre o ocorrido com a colega ao lado, numa sala com outros coleguinhas de trabalho.

Ocorre que, Sras. e Srs., nesta sala estava um outro menino, a quem chamaremos de elemento “X”. Elemento “X” tem papel fundamental na estória, mas ainda não aparecerá nesta cena.

O menino também estava triste, até que recebeu um email da menina. Mal teve tempo de se alegrar com o nome dela na caixa de entrada, percebeu que abriu mesmo a caixa de pandora. Os dizeres eram ofensivos e grosseiros, ela dizia detestá-lo, não entender como perdeu tanto tempo com ele, que ele não a procurasse mais, que isso e aquilo e acolá. Foram diversos e-mails, todos com o mesmo conteúdo nefasto.

Frustrado, ele desapareceu no carnaval (meio inutilmente, já que esta criatura pegou uma gripe no primeiro dia e ficou de molho até os últimos...).

Ela também devia estar frustrada, já que era tempo de eventos festivos, e ele sumiu completamente, o que era um péssimo sinal.

Ok. Pausa. Você deve se perguntar por que ela estava frustrada, já que ela mesma enviou emails ofensivos... Pois bem, chamemos agora o Elemento “X”.

Num mundo paralelo, o das pessoas malvadas, Elemento “X” ouviu a conversa de sua coleguinha, objeto de seu afeto, com a outra coleguinha da mesa ao lado. Neste momento, sua mente maquiavélica bolou um plano.

Destaquemos que Elemento “X” convivia com o casal de protagonistas. Elemento “X” saía com o casal. Ele e a namorada dele. Elemento “X” era totalmente, aparentemente, normal.

Então... Elemento “X” criou um email, o qual, caros senhores, preciso demonstrar empiricamente, porque o sujeito alterou um PONTO no email já existente da sua colega de trabalho. Exemplo:

Email real: margarida33@blablabla.com

Email fake: margarida.33@blablabla.com

Isso é sério. Seríssimo...

Vamos inverter o ditado: o que os olhos não vêem, o coração SENTE... E os olhos dele nem repararam um ponto a mais.

Pois bem. O tempo se passou e história, graças à Jah, tem final feliz.

Um belo dia, cansado de ouvir tantas ofensas, ele a procurou no MSN, e questionou os emails. Ela levou um mega susto, jurou inocência e correu com ele atrás das evidências desse complô (ESSE SIM - um complô!).

Descoberto o email falso, eles cataram um desses mega entendedores influentes de informática e conseguiram localizar o IP e endereço do dito cujo, quem, em uma ligação “grampeada” e após muito grito da vítima, confessou seu crime.

Isso é sério. Seríssimo...
Aconteceu ali, do meu ladinho.

Agora eu pergunto, Sras e Srs, que mundo louco é esse?????

São Jorge me proteja, os cães estão soltos e agora são, inclusive, tecnológicos...

Ps - espero que ningupem se ofenda com a minha narração. Os fatos aqui descritos são ficção. Qualquer semelhança com a realidade, é mera coinciência. Igualzinho na novela.

15 de fev. de 2009

Aos meus lindos anjos.



Neste momento, recolho o resto das minhas energias para emergir deste longo mergulho em que me encontro. Apesar de mais simples do que me pareceu a princípio, já que meu corpo flutuou e subiu, naturalmente, com a ajuda da própria água, e que a superfície se apresentou leve e agradável (considerando meu mais recente conhecimento de sua necessidade para tomar fôlego e ir a mergulhos mais longos, da sua importância para evitar minha estagnação nas profundezas de mim mesma e os conseqüentes transtornos que isso pode causar), ainda assim, foi com certa dificuldade que emergi, nadei até as bordas e finquei com vontade meus pés na terra fofa (mesma terra que sou eu e vocês, meu apoio, meu chão).

Vim até aqui porque este é o lugar exato que preciso estar para dizer o que preciso. E o que preciso dizer é muito simples. OBRIGADA.

Nesta minha vida cheia de anjos, anjos que bem sabem que são anjos, anjos que jamais se deram e talvez nem se dêem conta disso, anjos que me iluminam, me guardam, me protegem, visíveis, invisíveis, presentes, onipresentes, anjos que cobrem a minha vida com amor.

Agradeço a vocês, meus lindos anjos. Agradeço por suas palavras, pela doçura de suas almas, pela sinceridade em seus olhos. Agradeço por cada gesto. Pelo abraço apertado enquanto o soluço não parava, pelo carinho em meus cabelos até que pegar no sono, pelo colo, pelos ouvidos lotados com meus mais tristes lamentos, com minhas mais estranhas reclamações. Agradeço pela pureza de suas almas que não me julgaram, apedrejaram, ou se calaram quando eu errei – e tanto que errei! – mas que me perdoam, e ajudam ainda para que eu perdoe a mim mesma nesse caminho que em algum momento distante decidi percorrer.

Meus lindos anjos!

Agradeço pela essência deixada “com amor” em um envelope, agradeço pelo aperto forte nos braços, pela sacudida que me dizia “Acorde”, pelo barulho que veio de sua voz, mas sangrava de meu coração, ainda tão pequeno no uso de seu próprio vocabulário.

Agradeço o brilho intenso em seus olhos, agradeço por ter sido do seu lado que me dei conta de tantos dos meus reais desejos e pela sua força e apoio para que eles se materializem.

Agradeço pelo banho de mar na praia, por ter segurado minha mão. Agradeço por ter me olhado nos olhos sem medo de mim, mesmo quando estive assustada e enfraquecida. Agradeço o seu próprio agradecimento por ter feito algo especial com seu dia. Agradeço por você ter sido sincero suficiente para transparecer sua felicidade diante da minha mera companhia e enriquecer a minha noite.

Agradeço por abrir as portas pra mim, me deixar dormir em sua cama quando me vi sem pouso, por me oferecer seu melhor travesseiro, por me cobrir e encostar a porta, zelando meus sonhos.

Agradeço pelo pronto atendimento, por você me aguardar em seu momento de descanso e me receber, mesmo assim, com naturalidade, por você dedicar o máximo de cada aprendizado seu ao meu próprio aprendizado, por procurar na sua alma as palavras e perguntas certas, por calar o que ainda não estou preparada para ouvir e ter a paciência de aguardar meu crescimento. Agradeço por me mostrar que o caminho é longo e que é preciso paciência, calma e compaixão comigo mesma nesse trajeto. Agradeço pela lembrança que construo minha base lentamente, mas com solidez. E que ela é, sim, de brilho e luz.

Agradeço por estar do meu lado em silêncio diante do meu próprio silêncio. Por conseguir não estar ao meu lado, mesmo tão preocupada e me amando tanto, e respeitar minha fuga, distância e ausência, mesmo sofrendo por não saber como aliviar minha dor. (obrigada ao mais lindo anjo, que me carregou em seu ventre e me ama a ponto de dar a vida se fosse preciso. Por ela não precisar sequer dizer isso. A ela meu amor, agradecimento e pedido de perdão).

Agradeço pelo seu olhar de carinho e entendimento, mesmo quando não ouviu sequer uma palavra minha. Por você parar alguns segundos de seu dia e mandar uma mensagem de apoio e amor.

Agradeço por você mal me conhecer, mas olhar meus olhos tristes sem pena, e, não por caridade, mas por identificar-se comigo, me dizer “vá pra casa, eu cuido das coisas aqui por você.” Agradeço você ter me dado seu telefone para qualquer emergência.

Agradeço você ter parado seu dia para almoçar comigo, para me dizer suas verdades como uma ponte para que eu encontre as minhas. Agradeço por você rir comigo e me acolher, por ter retirado minhas sandálias e me aconchegado quando eu não já nem sabia mais onde estava ou aonde ir.

Agradeço por você ter passado por mim com aquela fantasia engraçada, ter aberto um sorriso engraçado, ter me feito gargalhar, sem nem me conhecer. Foram tantos (e um só...) que vieram e pintaram como anjos meu céu, sem se dar conta do arco-íris que se formou no meu dia nublado.

Agradeço por você ter me convidado a sua casa, ou a seu caminho, ou a seu momento especial. Agradeço pela chance de ir até você, ou de ter sido conduzida até este lugar onde pude te ouvir contar estórias de outros tempos e outros heróis, tão destemidos e medrosos quanto eu. Agradeço por ter me aproximado de Deus.

Ah.... Paro absolutamente todo o resto no meu mundo agora e profundamente agradeço muito a Deus! (que, também é você, e também sou eu) por ter minha vida repleta de vocês, anjos.

Agradeço pelo amor desinteressado de cada um desses anjos, que antes de tudo são anjos por amarem exatamente assim, desinteressadamente, sem cobranças, sem trocas (o mais lindo amor que tanto me confundiu em sua procura, mas que se faz cada dia mais sentido para e por mim).

Todavia, acima de tudo, agradeço por este grande espelho que todos vocês, belos anjos, dispuseram em minha frente.

Esse espelho que tantas vezes me esquivo de olhar, que me dá tanto medo... Agradeço porque, neste pequeno momento, me dedico a ver minha imagem refletida. Agradeço pela dor de ver meus erros e faltas, pela raiva da armas que seguro e uso sem ter ainda conseguido abandonar, pela minha agressividade e mágoas, pela minha facilidade irrazoável de não dar limites ao mundo, mas dificuldade em perdoar a mim mesma, pela minha própria auto-punição, descaso, humilhação. Por tantas vezes questionar minhas conquistas e merecimentos.

Não só, respiro fundo, aqui desta terra (que sou eu e é você), para de outra forma agradecer a presença deste espelho em minha frente, posto especialmente por meus anjos e mais delicadamente por mim mesma, e da imagem a qual vocês não me deixam driblar: essa linda mulher, tão forte, intensa e dolorida, que quer correr tanto e tanto cai de seu veloz cavalo, mas não desiste, que se procura, que se alimenta e respira cada dia melhor, porque quer viver cada dia melhor, que não tem mais os mesmos medos, que tem tantos novos sonhos, que não mais se apavora com a solidão, que entende precisar de pausas, que pára pra ouvir seu coração e o deixa vir e refletir-se também no seu espelho. Essa mulher que busca entender a si mesma, acolher a si mesma, perdoar a si mesma, unir cada um de seus lados.

Esta mulher que sofre muito com tantas e tantas visões em seu espelho, mas quem aprende, a cada dia, que evitar sua sombra não a fará desaparecer, enquanto iluminá-la e refleti-la poderá transformá-la com a profundidade necessária para vencer a si mesma. Uma mulher que luta contra a própria ansiedade e se esforça a entender que essa mudança é dolorida, e, não surpreendentemente, leva tempo.

Essa mulher que é boa o suficiente para si mesma, mas sabe: ainda tem muito que se amar.

Anjos todos: obrigada por compartilharem meu sonho, minha jornada, humana e verdadeira.

Durmo agora, mais cansada que ontem, ainda ferida pelo ontem, porém com um olhar mais límpido que ontem, cabeça mais erguida, com pés mais seguros, com compaixão e amor-próprio mais intensificados, tudo este tanto mais agora do que foi na noite antes dormida, tudo menos do que me caberá sentir quando o sol de amanhã raiar. Digo, contundo que desde agora, algo é completo, apesar infinito. Carrego comigo muita, muita gratidão no coração.

Porque quando me faltou amor suficiente por mim mesma, não me foi permitido esmorecer, não me foi permitido o longo sono, não me foi permitido. E foi com amor, apesar da franqueza, que me senti erguida novamente.

E quando reclamei da intensidade, e quando resmunguei da dor, quando tive dó e revolta por ser tudo assim, tão forte, tão furacão, quando desejei aquela vida leve e sem tremores, ouvi você dizer que esse foi o jeito que a minha alma encontrou de “ser” nessa vida, foi o caminho que a trouxe seu próprio desenvolvimento. Esse foi o encontro dela, a sua forma de estar, de crescer, sua força, sua estória. E se aprendi algo até aqui é que, por dignidade e merecimento, a minha alma vai falar por mim e ser exatamente aquilo que ela veio para ser.

Começo agora, pelo fato de amar a felicidade na minha vida.
E que permaneçam nela, vocês, meus anjos, tantos puros anjos, que me velam de longe, tantos pura luz, que me acompanham e abraçam, tantos tão humanos, que erram, choram e machucam, mas que me têm com amor e verdade.

1 de fev. de 2009

Pandora.


O sol vem chegando aos poucos em seus dias. É muito difícil se esconder do sol num verão quente como esse. O sol, lá fora, despretensiosamente esquenta seus dias, e ela sente esse conforto do calor em seu corpo, como se fossem se afastar todos os fantasmas.

Por dentro, porém, ela sabe. Lá no fundo, a caixa de pandora. Ali guardada, fechada em seu peito, esse pequeno câncer, uma nuvem, uma pedra.

Algumas vezes, quando percebe que não vai mais agüentar e que o ar não consegue exatamente entrar, ela senta-se, sozinha, e abre sua própria caixa.

É quando tudo vem. Toda a dor, o aperto, a vontade de jogar-se nesse poço, buraco negro de um sono profundo, não pensar, não ouvir, não ouvir mais nada. Aperta forte o peito como se seus dedos pudessem anestesiar a dor. Sem medo, e reza por sua cura, para esquecer, enquanto revira página a página dos escritos em sua caixa, enquanto revive cada cena, revê todos os sorrisos, recorda cada beijo, perde-se outra vez no amontoado de diálogos, todas as frases, cada mágoa dele, cada crítica, e principalmente tudo aquilo que ela sabe que existe, mas nenhum dos dois teve coragem de falar.
Quer evitar a culpa, mas é a mesma voz que não cala. É um monstrinho devorador, que resolveu chamar de “E Se”.

E se eu tivesse dito? E se não escondesse meus sentimentos, sem medo de suas reações e apenas dissesse o que me incomodava? E se eu não tivesse se preocupado tanto em não ferir-lhe o ego, ou seu próprio (sim, especialmente o seu) e conseguisse ser sincera suficiente para conversar sobre o que angustiava, sem precisar sabotar pelas bordas o dia-a-dia, sem precisar recorrer a todo subterfúgio e em seguida arranjar desculpas para as próprias faltas, e se conseguisse, tranquilamente, contar, que algo faltava, e explicar, e se tivesse a coragem suficiente para olhar nos seus olhos e dizer, “ah, amor, sinto tanto em dizer, mas há algo de errado aqui.”

Detestava o fato de não terem conversado abertamente a respeito. Naquela mesma manha, quando se deu conta que seu relacionamento poderia terminar, decidiu vencer seus medos infantis e conversar com ele. Não podiam continuar daquela forma, fingindo que não fazia qualquer diferença. Ambos tinha tido relacionamentos antes, ambos sabiam sobre o quanto não era natural.

E durante todos aqueles meses, subtraindo os que tentou esconder verdades de si mesma, durante todos esses meses via e revia essa conversa em sua cabeça, pensava em que palavras usar, sem magoá-lo, sem temer o que ouviria em retorno. Sem enfrentar o turbilhão de coisas que aparecem quando as cartas são arremessadas na mesa.

Mas não conversaram. Naquele dia, já era tarde demais.
Não conversaram mais nunca. E ela jamais saberia o que teria sido, se teriam vencido, se as coisas iriam mudar. Ela jamais saberia se poderiam ser mais. Se poderiam SER, na verdade.

Agora, restava o bichinho do “E Se” perfurando seus ouvidos, tirando seu sono, navegando constante em um barco a vela por rio que optou chamar “culpa”.

Barcos a vela viajam lentos, em especial nos dias de pouco vento. Barcos a vela às vezes param ancorados entre pedras de solidão.

Ela não queria mais navegar por ali, ela não podia mais contá-lo, não conversariam, nunca saberia, “e se” era um mostro cruel que deveria morrer no meio de suas próprias divagações, um sem saída, um entrave, uma não-solucionável e alucinante questão. “E Se” era sua dor de cabeça. E tudo mais que doía.

E se ela parasse de ponderar agora, muito provavelmente, seria sua melhor opção.

"Vai ver é só você querer, distante imaginar..."

Não havia mais reflexo. Nem raios de sol, nem sombras, não havia imagem contrária a sua para que pudesse ver e, um pouco mais literalmente, refletir.

E enquanto ninava sua dor, acarinhando suas culpas e perdoando seus erros, enquanto alimentava com ternura o amor por tudo que era ela, para que continuasse caminhando com a velha paz intensa em seu coração, enquanto lutava contra tudo que a afastava de si mesma e contra toda a dor da separação, era impossível não pensar.

Sabia que teria que respeitar seu silêncio, respeitar a distância que ele escolheu para eles, respeitar a absoluta falta de reflexo. Mas era impossível não pensar.

Seria mesmo fácil assim? Será que ela já tinha morrido de suas memórias, lembranças, pensamentos, será que ela não representava mais nada, e que os dias passavam sem ela por dentro, tanto quanto estava ausente por fora?

Angustia queimando no peito por ter sido essa página tão facilmente virada, de ter sido “mais uma” e quem saber estar entre aquelas estórias que nem se sabe, que mal se lembram... – Ah, sim, foi. Passamos um tempo juntos. Não, não muito. Sim, está superado, já passou.

O egoísmo de suas idéias a angustiava ainda mais. Por que estão não sentia-se feliz com o fato de ele estar bem? Que vácuo de amor seria esse, que a fazia desejar para ele os mesmos apertos, os mesmos espasmos, a mesma saudade de algo que não existe mais?

Egoísta. E em mais um de seus loucos diálogos, pode ouvir-se responder.
Não é só isso. Eu gostaria muito era de um pouco de solidariedade. Era de saber... “Sim, tudo bem acabou. Mas veja, é triste pra mim também. É difícil. Tudo que foi teve seu significado e foi especial. Tudo que foi me faz falta e de vez em quando, mesmo que pouco, mesmo que só às vezes, aperta em meu peito.”

Ela queria ouvi-lo dizer que não era a única. Que esse sentimento, essa perda, essa falta, não eram só dela.

Ela já sabia que sim, haviam terminado. Que não haveria volta, já que esse não era um caminho que ele sabia ou desejaria trilhar. Que acabou.
Ela sabia disso.

Só deseja enxergar que pra ele também havia o amor. O Sentimento. A perda. A falta. A repetição de palavras que não paravam. Cíclicas. Ainda que por uma noite. Ainda que por alguns minutos. Ainda.

Não, não estava a saudade naquela conversar, não estava no encontro, não estava abarrotada em nenhuma das suas três caixas de e-mail.

A saudade não estava em qualquer lugar, e o amor... ah, o amor.... apenas “dificultaria ainda mais as coisas falar sobre isso.”

Seria mesmo assim tão mau se se encontrassem em um ponto entre todos e tantos sentimentos dela?

26 de jan. de 2009

Vânia Abreu e Marcelo Quintanilha. Download.




Não sei se vai funcionar, porque nunca tentei isso antes, mas bem, vivendo e aprendendo. Rs.


Se funcionar, o link abaixo será um guia pro download de um LINDO cd.


Lindo mesmo.


http://rapidshare.com/files/146410752/V_nia_Abreu_e_Marcelo_-_Quintanilha_Pierrot_e_Colombina.zip.html

“e nos corações, saudades e cinzas foi o que restou...”


Como saber se você gosta mesmo de alguém? Já me fiz essa pergunta, diversas vezes. Por diversas vezes, questionei até onde ia o amor que sinto, o que é exatamente o outro, o que são projeções minhas... o que é o amor que eu vejo e o que é o amor que o outro, por ser ele mesmo, me faz sentir. Hoje, mesmo que em pedaços, veio parte da resposta.


Hoje eu senti saudade.

Foi durante o show, olhei pro lado e desejei tanto te ver. Desejei ter você ali, sentado do meu lado. Desejei ver seu sorriso. Desejei apertar sua mão, olhar pra você na hora daquele refrão que eu gostei e que falava de amor, na hora daquele refrão que podia estar falando sobre nós dois...
Desejei você comigo, e ninguém mais.
Queria seu jeito desengonçado, o tamanho maior que a cadeira de qualquer teatro. A carinha compenetrada, de paisagem. Meu coração apertou tanto. Era pra ser com você.

“Mas é carnaval, não me diga mais quem é você... deixa o barco correr...”

E essa sensação, que tentava se fingir de nova, já sabia ser tão conhecida... foi a mesma daquele dia no cinema, quando vi a cena que queria comentar com você... quando desejei encostar no seu ombro, enrolar no seu braço.
Foi assim naquele pôr-do-sol. Num banho de mar, outro dia ainda.
Foi assim caminhando na praia.
Foi assim sentada, tossindo, no banco do parque, quando te mandei uma mensagem, enquanto pensava porque não tínhamos estado ali antes, e até parecia familiar, como se em algum momento estivéssemos ido.
Foi assim de manhã, quando acordei hoje.
É assim agora, e aqui.

Essa vontade louca de dividir meus dias, meus momentos com você. Essa vontade de te ver, segurar sua mão enquanto ando pelos lugares. Ser abraçada por você.

Não, não tem sido ruim estar sozinha. Não tem sido ruim me descobrir e descobrir o que eu gosto, reencontrar minhas amigas, dividir as tardes com vinho e piscina, conversas, risadas, livros. Nada disso tem sido ruim. Nem o pôr-do-sol, nem o banho de mar, nem o cinema, nem o romântico show. A felicidade me visita, sim, e tem passado com freqüência na medida em que acordo e me pergunto: então, Dona Felicidade, o que será preciso pra você vir me ver hoje?

Sinto meu coração acalmar com banhos de lua e de lavanda. Sinto a paz chegando entre as conversas sinceras e confissões verdadeiras a pessoas que se importam e realmente se preocupam comigo.

E sei que te amo, porque ainda agora, ainda com alegria em meus dias, ainda com ternura, queria você. Perto.

Música de fundo: Aquele frevo axé. Na voz de Vânia e Quintanilha.

"Veja onde a gente se achou
Estrelas já vão luzir
Na noite da baía preta
Queria tanto você aqui
Que fazer?..."

"Há tanto amor pra dar, que a gente nem sabe..."

E foi assim, bem naquele segundo, que deixou de sentir-se patética. Não, não sentia mais vergonha, pelo contrário. Sentia até certo orgulho, espécie de prestígio em sua atitude.
De ter corrido, chorado, descido degrau por degrau da escada. Sim! Era ela. Era seu desejo, sua vontade ali. Estava feliz por não tê-lo deixá-lo partir sem antes dizer. Sem tentar. Ficou feliz porque não engoliu tudo num gélido “ok”. Fico feliz por não ser mais uma dessas mudas, intoxicadas pelas dores e amores da vida. Por não ser mais uma das que ignora, das que disfarça, das que fingem. Mais uma das que não descem escadas.

Porque para entender da subida, meu bem, é preciso descer de quando em quando. Porque pra ser feliz, só às vezes, é preciso não desistir na primeira parada.

25 de jan. de 2009

"Tudo bem. Um beijo pra vc."



- Um momento, vou transferir para o suporte técnico.
- ...

23 minutos e 32 segundos depois.

- Suporte técnico, Alex, boa tarde.
- Boa tarde, Alex. Estou com um problema no meu aparelho. Não estou conseguindo enviar mensagens de texto. Este problema vem se repetindo, algumas vezes o serviço volta ao normal e depois para de funcionar novamente. (algo que me deixa insuportavelmente irritada, quando tenho vontade de arremessar longe o telefone, desmontá-lo com uma chave de fenda especial, chorar. Mas não digo isso. Me restrinjo ao óbvio e necessário para o andamento de um bom atendimento.) Será que o senhor poderia me ajudar?
- Vamos ver.(...) Agora dirija-se ao menu de mensagens. Clique em apagar todas as mensagens. Recebidas e Enviadas.
- Como?

E ele repete. Mais alto e com mais pausas. “Clique em apagar todas as mensagens. Recebidas e Enviadas.”
- Você quer que eu apague TODAS AS MENSAGENS QUE EU RECEBI OU ENVIEI? TODAS? TODINHAS?
- Sim.
- Não tem outro jeito de se resolver isso?????
- Senhora, esse é o procedimento
– retrucou o insensível. Cretino.
- Mas... é que.. tenho coisas importantes aqui...

Imbecil, ele deve ter pensado. Por que eu continuava falando?

Odiava esse homem. Odiava o suporte técnico. Odiava ter que me despedir assim de TODAS as MINHAS mensagens. Todas as nossas. Ai meu Deus... ai meu deus.

Engraçado disso tudo é que hoje mesmo me peguei pensando nesse assunto. Será que você já tinha apagado minhas mensagens? Será que você as relia, de quando em quando? Eu reli. Outro dia desses, assistindo o mar, peguei o celular e reli. Não foi tão bom, nem tão fácil, nem tão gostoso. Não apaguei nenhuma delas. E pensei que precisaria ainda de um bom tempo para fazê-lo.

Ai meu Deus.

Você não me parece do tipo que guarda mensagens antigas, em especial as de amor. Essa pequena pessoa otimista em mim quis me contrariar. Talvez sim. Mas não seria do tipo de relê-las, certamente. Isso não. Sem romances, sem chorumelas. Tudo muito prático, uma cisão perfeitamente realizada, com lâmina afiada, corte único, rápido, sem sangue, sem dor. Seco. Algo como: “Tudo bem. Um beijo pra vc!” ou algo parecido, já que a minha fonte inevitável de recordações digital e portátil foi deletada.

Sinto saudades de você quando era outro. Quando eu pensava em você como uma das pessoas mais sensíveis e doces que conheci. Mais apaixonantes. Sinto saudade de quando você acordou no meio da noite naquele dia, e que eu passei a noite rezando pra afastar todas as nuvens do seu lado. Foi a primeira vez que te vi com um certo medo, e por mais que me doesse te sentir assim, me coração não deixou de se alegrar enquanto me sentia útil, feliz de poder estar ali, do seu lado, de ter a chance de cuidar de você. Chamei alguém naquele dia e ouvi que nada de mal vai acontecer a vocês. Ninguém vai machucar. Nada de mal acontece. Diz a ele, não ter medo. Só carinho.


Achei engraçado isso. Ele disse carinho. Eu sentia carinho. Que coisa mais boa de sentir. Que saudade de sentir carinho!

Agora eu precisava apagar todas as mensagens a troco de responder a sua. Todos os eu te amos, (e suas quinhentas exclamações!!!!) todos os tô morrendo de saudade, todos os vem logo, amor; to indo logo, amor... tudo, tudo que sobrou pra mim do homem que eu amei, tudo que restou do carinho dele por mim. Ah. Era tão reconfortante tê-las ali. Era tão reconfortante poder abrir em alguma hora, mesmo que não fosse tão fácil, mesmo que não fosse tão gostoso, mesmo que, com o tempo, passasse a ser mais e mais raro. Mesmo que não fosse recíproco.

Agora seria o triste novo do “tudo bem, e vc?”. O triste novo, e seco.

Apaguei-as todas. Sem a chance de me despedir. Sem a chance de relê-las, uma a uma, saboreá-las mais uma vez.

Adeus, minhas mensagens. Sejam felizes nesse mundo das coisas que se foram. Infelizmente não posso mais visitá-las. Infelizmente não há entradas pra o novo mundo de vocês.

18 de jan. de 2009

"Paz (...) já me cansei de ser a última a saber de ti..."


- Foi, mas estive ocupado com... (...) não vi sua ligação (...) é que acabei marcando (...) precisei passar na (...) foi de última hora (...)mas bem, preciso ir (...) bom, se quiser vir agora, posso esperar...


Mentira.
Mentira.
Mentira.
Hum... velho e tão conhecido aroma, sabor, da mais sincera mentira.

Sempre achou que ele não mentiria. Nunca. Sua honestidade a encantou desde o primeiro segundo. Era ele. Transparente e lindo, como sempre sonhou. Ele seria duro e cruel, se necessário. Mas se em seus olhos, a amasse, ele a amaria. Inteiro. Verdadeiramente.

Ouviu tantas e tantas vezes que isso não podia ser verdade. Pessoas mentem! Homens, todos, mentem. Não se iluda, pequena...

Acreditava. Não, não com ele. Não ele! Era uma questão de princípios. Muito além do que os outros pudessem entender. Ele, jamais. E o que todos os outros tinham a ver com qualquer coisa?

A verdade é que confiava mais nele do que nela mesma. Ele era, ali, a ponte entre seus sonhos e o mais próximo possível de realizá-los. Ele era a coerência e a força que cativava em si e deseja encontrar mais a frente. Ele, sendo a sua própria e absoluta verdade, era a verdade mais acreditável. Mais amável. E sim, sem dúvidas, ela o amou. Ele. Seu gênio difícil. Fechado. Esquisito. Suas pressas. Suas demoras. Seu jeito desajeitado e estabanado, que a irritava, sempre. Seus conceitos e opiniões bem formuladas. Suas teorias. Seu olhar distante. Sua doçura. Seu beijo. Suas verdades.

Mas não mais.

Ponderou. Sim, ok, a culpa é única e exclusivamente minha. Eu acreditei, eu criei esse personagem, Mr. Very, very, good - que não mente, não desilude, não deixa esse gosto, seco, na garganta.

Era tudo muito simples. Tudo muito óbvio. Lógico. Ela continuava patética. Ele era mais um outro - mentiroso.

Ah, sim. Todo mundo mente.

E as mentiras, meu amor.... elas são essas luzinhas piscando no escuro. Uma criancinha perdida na praia, com bracinhos levantados e gritando, “eu, aqui, me encontra, me encontra, por favor...” E tudo que é preciso fazer, olhar pro lado. Nem se sabe como ela foi parar ali, mas no momento seguinte você sabe. Encontros casuais não tão casuais assim.

Não, meu amor. Não precisa mentir. Você nem é tão bom... E eu nem sou tão má, ao ponto de não te deixar em paz.

14 de jan. de 2009

"Preliminar com cafuné"



A noite passou rápido. Sentiu seus olhares cruzarem algumas vezes. Poucas vezes. Não estava pronta para olhares cruzados. Eles sequer se tocaram. Mas não estava pronta para ir embora.
Resolveram parar o carro, conversar. A verdade é que, naquele momento, ele era a única pessoa perto de quem ela desejava estar. Aquele era o único lugar no planeta onde ela gostaria de estar, e essa é uma das melhores sensações do universo... Assim, sem maiores explicações, tinha algo no seu jeito de tratar que acalmava seu coração, a deixava segura. Não demorou muito para que ele fosse a primeira pessoa em quem pensava antes de dormir, a primeira que lembrava ao acordar. O autor das mensagens que davam sabor ao seu dia. Que a fazia desejar ansiosa o dia seguinte. Assim, só pra saber o que viria pela frente.

Não tinha muitas certezas. Mas lembrava exatamente do segundo em que soube. Porque como tudo mais na vida, tem sempre aquele segundo em que você sabe.

Então, ele disse: - sei bem que não sou o que a maioria das mulheres considera um bom partido. Não tenho um carro importado, ainda moro com minha mãe. Tenho um filho. Não estou no auge da minha carreira. E seguia. “Não” isso, “não” aquilo... Ela ouvia atenta, meio séria, e achou engraçado sentir que seu coração sorria naquele momento. Sorria, meio até gargalhava, e tinha essa vontade gigante de abraçá-lo apertado. Tinha vontade de gritar todas as coisas lindas que poucas horas de seu lado a fizeram sentir. Seu coração era tudo que ela tinha de partido. Ele era a sua maior alegria. Naquele segundo, ela soube.

“Deixa pintar o entardecer, e o sol brincar de se esconder...”

- quero namorar com você.
- comigo?
- sim.
- tem certeza?
- sim.
(...)

Ela sempre adorou o fato de algumas pessoas realmente usarem a palavra “sim”.

Nesse momento, ele era a única pessoa assim que ela conhecia.

“Tarde e chuva, eu fico mais fogosa.”


Não foi difícil acostumar com seu coração sorrindo. Decidiu ignorar o tempo fechado e cair no mar assim mesmo. Precisava de um mergulho. Um mergulho bem fundo, de comemoração. Sentiu-se envolver - sim, o mar comemorava com ela, vibrando, intenso, enquanto ele observava, da areia. Viu as nuvens brancas no céu aproximarem, quase que a engolindo. Viu o céu e mar numa mesma linha, a mesma coisa, dentro e fora dela.

Ela sentiu Deus.

E nem foi difícil convencer, que foi só sorrir, ele entendeu, respirou fundo, mergulharam.
Depois pararam ali, abraçados, ouvindo o mar e o resto do mundo celebrar por eles. Não havia mais nada. Era a mais linda das músicas. Foi o dia mais mágicos de todos os dias mágicos que ela conhecia.

Ela sentiu amor.


Eles tiveram sol no dia seguinte.