31 de mai. de 2007

Once in the blue moon...


Será esta noite, a rara lua azul.
“A lua azul nos ensina a importância de seguir nosso caminho sem nos deixar desviar por ilusões que interferiram em nossas visões. E cada vez que nos transformamos, realizando nossas visões, uma nova perspectiva e compreensão se abre, permitindo-nos alcançar outro nível na eterna espiral da evolução do espírito. A última visão a ser alcançada é a decisão de simplesmente ser. Sendo tudo e sendo nada, eliminamos os rótulos e definições que limitam nossa plenitude.”



A Lua
Fernando Pessoa

(dizem os Ingleses) (14-11-1931)
A Lua (dizem os Ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentirpensando...
A Lua(dizem os Ingleses)
É azul de quando em quando.

30 de mai. de 2007

"Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar..."

Embora digam não, embora pensem contrário.

Embora percam o chão,
Embora achem errado.
Embora o dia não fosse
e a noite fosse emprestado
Embora oculta a paixão,
Embora outro o horário.

Embora apenas calasse,
e respirasse forçado,
Embora um copo na mão,
Embora o tempo fechado.
Embora ainda soubesse,
E nada houvesse esperado,
Embora a velha ilusão,
Embora antigo o pecado.

Embora diga que não, embora pensem contrário.

Embora toda a paisagem,
e aquele dia ao seu lado.
Embora qualquer melhora,
Embora a chuva lá fora
Embora triste a canção
Embora fosse (sim...)
Embora.

" Eu fui fechando o tempo sem chover..."



..."E veio me puxando pela mão
Por onde não imaginei seguir...
(...)
E fui abrindo portas sem sair...
Sonhando às cegas, sem dormir
(...)
O amor me consumiu, depois sumiu
E eu até perguntei, mas ninguém viu
E fui fechando o rosto sem sentir
E mesmo atenta, sem me distrair
Não sei quem é você..."

Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto.”

“Chegou de mansinho, veio vagarinho... Menino, não faz assim não...”


Seu corpo
Pertinho...
Sorriso,
Carinho.
Me abraça!
E deixa o mundo girando
Tadinho.

Ai, a malemolência... E é tudo que eu posso lhe adiantar!!! Rs...

- Vamos falar do meu mais novo vício por Céu?

17 de mai. de 2007

Ai, ai.... o pão doce...




Pão Doce
Adriana Calcanhoto

Não adianta mentir pra mim mesma
Ficar me enganando, tentando dizer
Que nunca na vida,
nunca na vida eu gostei de pão doce
Porque por mais que eu queira esconder
A verdade é que eu adorava pão doce
Não podia passar sem pão doce
Bastava ver padaria, que logo eu ia, que logo eu ia
Comprar
Não adianta mentir pra mim mesma
Porque no fundo,
porque no fundo eu sei muito bem
Que essa história toda de não comer açúcar
Que essa história toda de não comer pão branco
Que essa história toda de viver de mel e pão integral
Isso tudo só foi começar muito depois
Depois de um tempo em que eu era
Tão completamente ingênua
Tão sem força de vontade
Que as doces delicadezas
De qualquer guloseima
Lânguidas me seduziam
E minha língua sofria
De incontrolável fascínio

Por cremes dourados
E frutas cristalizadas
Feito rubis incrustadas
Nas crostas crocantes dos pães
Mas hoje
Hoje tudo é diferente
Se eu olho pruma padaria, me ponho cismando,
chego a duvidar

Como é que pôde um dia
Eu ter entrado tanto lá!...

Porque por mais que eu queira, mas que eu queira
Mentir pra mim mesma
Ficar me enganando, tentando dizer
Que nunca na vida,
nunca na vida eu gostei de pão doce

Fazendo um exame detido,
sendo sincera, eu tenho que admitir
Que a verdade, meus amigos
(pelo menos no que tange a trigos)
A verdade no duro, doa a quem doer
A verdade é que eu adorava pão doce
A verdade é que eu adorava pão doce
A verdade é que eu adorava pão doce...

4 de mai. de 2007

...Why don´t we... Change.



- Fala pra realidade que só vou levantar quando ela tiver mudado...


- Hunf!


- Fala também que eu odeio gente acomodada...

20 de abr. de 2007

Dezesseis horas atrás.


E se eu voltasse o tempo

E se pudesse evitar

E se nada disso fosse alguma coisa

que pensávamos ter em comum.





Olho agora pra você: dezesseis horas atrás, é muito pouco tempo pra passar e esquecer, somente dezesseis horas, e tudo que pensei era você, tudo que eu vi, tudo que fez algum sentido num dia completamente sem nexo ou loucura.



No final da festa, já tinha desistido de qualquer outra comemoração. Recolheria os copos e garrafas vazias, juntaria a pilha de pratos na pia, deixaria tudo mais para a manhã seguinte. Exausta.



Seria um beijo de despedida. Talvez. Talvez não. Assustada, abriu os olhos e ele estava bem ali, dormindo. Lindamente. Tranquilamente. Chamou. - Acorde... Mais uma vez. Sentia-se pesada de sono, leve de carinho... Abriu os olhos novamente. Treze ligações perdidas no celular. Ninguém do seu lado na cama. Alguns sonhos podem parecer mais reais que o comum.




Pensei 16 vezes em não passar perto, mas 16 horas (ou menos de dezesseis? Já não importava.) para tanto assim... Era pouco demais.


Por uma vida menos ordinária - Cap. I





Cacos.



Acordou cansada. Viu-se cercada por esse lixo de vida que acabou acontecendo, resultado de escolhas falhas, alguma preguiça, descaso, atitudes impulsivas e impensadas. Resultado se sua própria sabotagem.




- Eu to com muita vontade de te dar um beijo agora...
- Você acha que eu também não tenho vontade? Tenho vontade... Mas muitas vezes na minha vida agi por impulsividade, porque tinha “vontade”. Agora, resolvi fazer o que acho certo.





Tinha tudo pra ser feliz, no sentido mais lato de felicidade – todos os elementos para levar uma “vida moderninha”, mais prazeres que sacrifícios.




Contrário a tudo isso, pelo menos por um dia, escolheu comer aquela comida lixo, ouvir aquela música lixo, ter amigos lixo e um homem completamente lixo, beber aquela vodka lixo e acordar com um lixo de ressaca (física e moral).

Por uma vida menos ordinária - Cap. II


Reflexo.




Olhou no espelho, sua imagem turva (resquícios do álcool), maquiagem escorrida nos olhos, cabelo horrivelmente desalinhado. O esmalte vermelho, milagrosamente intacto das unhas.



- Nem sei mais onde a menina que eu fui se escondeu.



Recolheu as garrafas e, junto, reuniu os cacos do que entendia reciclável: pedaços de antigas crenças e vontades, um pouco de sonho, uma boa dose de peso de consciência. Conhecimentos vagos de lições passadas. Não queria mesmo levar muito. Nada de excesso de bagagem dessa vez. Lembrou de um livro: estórias de amor devem ser esquecidas, abandonadas pelo caminho. Tinha muitas estórias de amor. A way to much to take.



- Temos que começar de algum lugar.

Por uma vida menos ordinária - Cap. III


Resoluções.




Decidiu fazer tudo diferente. Começaria do zero, itens numerados numa listinha de pendências:



- Ir ao gastro, ao otorrino e a nutricionista.
- Se matricular na academia.
- Tirar xérox do material, ler e sublinhar com marca texto colorido. Fichar.
- Pagar os vinte reais ao seu irmão.
- Visitar sua vó.
- Escrever aquela carta pra mãe.
- Dar baixa nos emails, apagar os encaminhados dos dois últimos anos.
- Passar no mínimo três horas na sua livraria preferida, ler seus autores preferidos, pesquisar novos livros de cabeceira.
- Devolver duas blusas, um par de brincos, algumas canetas...
- Esvaziar as gavetas e os armários.
- Esvaziar o peito.
- Agarrá-lo de uma vez (com calma, desejo, sem muito pensar, sem nada dizer, e um sorriso há muito não visto).

Por uma vida menos ordinária. - Cap. IV

Vontades Próprias.



Não perderia mais oportunidades. Não gastaria tantas palavras, não assistiria tanta bobagem na televisão. Não ficaria esperando ele ligar. E daria seu telefone, sempre que parecesse interessante.

19 de abr. de 2007

Rabuguice.

- Não há razão para termos essa conversa, está tudo muito bem resolvido. Desculpe, é que não há mais nada pra conversar.

- Mas o problema é que...





Viu ele sentado ali, beijo no beijo de uma outra boca, coisa mais incômoda de assistir, e assim de tão perto, entre os copos e braços cruzados pela mesa...


Ele a beijava de olhos fechados, dedos entrelaçados entre os cabelos. Um casal a mais numa noite de sábado. Mas não mais. É que... Não era. Era para ser ela. O que houve, afinal? Escorria a raiva e a cerveja, inveja, escondida, seu desejo atrás do descaso, quando apenas ela mesma pensava que sabia disfarçar alguma coisa, e nem sabia mais se pensava assim. Óbvio, seria perceptível a vontade, triste melancolia no fundo dos olhos, mau humor injustificado na mesa do bar.


Cada beijo, outro “bum” (idealizado para ser “prá-pum-tchibumm-crash-bang”) - iria pular em cima dele, iria a talzinha num cruzeiro pra áfrica, iria ele ser sem resposta, sem reação, e iria ela embora, sorrindo de ser exatamente o quanto tinha se apaixonado.




Ele não sabe. Eu mesma não quis dizer, eu mesma deixei e não fui quando ele chamou. Nem agora, apaixonada. Não fui.




Sentiu que teria que esquecer, mesmo antes de ter alguma outra coisa pra lembrar.
E não era agravável. Apenas. Não era.

17 de abr. de 2007

Chateada. Triste. blarght.

Meu Blog está em crise existencial.


Ele desisitiu de dar espaçamentos, quebra de linhas e tal.


Estou sofrendo ainda com isso.... Todos os meus textos antigos se desconfiguraram... E logo eu, que escolho cada formatação e me preocupo com cada vírgula, libriana que sou....


Confesso que detesto a idéia de meus textos expostos e mal formatados. Minhas palavras, cada uma com sua razão de ser... ai... ai...


Se alguém souber alguma coisa sobre isso, help!


Sniff.
Saco.


Não sei.


Tá tudo errado.

Oi.

Testando!
Meu blog rá stressado.

Cansou de mim, eu acho.



Péssima.

11 de abr. de 2007

"... E um pouco mais..."

PARTE V


Falavam constantemente. Tornou-se incontrolável, viciaram-se em gastar palavras por não dizerem nada do que poderiam pensar ou sentir com a presença um do outro. Enchiam-se, bocas e ouvidos - conversas tolas, velhas, conhecidas, repetições - “como vai?”, “vou bem, e você?”, “mas e você, tudo bem?”...
- Planos pra hoje?
- Tenho sim, (...) sair, (...) uns amigos, (...) um bar.
- ...

Pensou em parar de uma vez aquela conversa toda. Gritar, apertá-lo nos braços.

Não queria nada além de você por perto essa noite.
Olhei pro lado e te vi, rindo comigo de tantas outras coisas bobas, de tantas coisas sérias demais e sobre as quais também iríamos rir. Mais do que ver, digo que gostaria que fosse você do meu lado.

Não disse absolutamente nada. No conseguia dormir. No meio da noite, ele ligou.

Qualquer pessoa no mundo que já gostou um pouco de qualquer outra pessoa no mundo conhece a sensação: o sorriso esticado, meio sono/meio sonho, sorriso sonso que vem junto com a ligação às duas da manhã. Perde-se o peso dos ombros, qualquer tristeza, qualquer melancolia. Perde-se quase e tudo, pela eufórica insônia, que é certa de chegar quando for pressionada a tecla end no celular.

Talvez ele também percebesse, talvez ele sentisse. Por um segundo, não havia amigos, nem bar, nem saída. Era ele chamando, era o telefone. Era ela, eufórica e insônica*, abraçando o travesseiro, feliz-triste-pouco-arrependida-mas-ainda-alegre por todo o então chamado juízo que ocasionara seu “não” àquela visita, àquela noite.



*licença, licença. Obrigada.