13 de jan. de 2009

"Não há no mundo lei que possa condenar."


- então, você vem?
- onde?
- me ver.
- quando?
- hoje.
- não... hoje mais não.
- amanhã?
- amanhã se vê...
- a gente?
- talvez.
(...)

- tá tudo bem?
- não muito.
- posso ajudar?
- não. É comigo. Não me sinto bem.
- quer que eu vá ai?
- não. Quero ficar sozinho.
(...)

- você não retornou...
- estava ocupado.
- pode falar agora?
- diga.
(...)

- mas... o quê?
- nada demais.
(...)

- eu tô te atrapalhando?
- eu nunca disse isso.
(!!!!)

Socorro.
Perdi o caminho.

11 de jan. de 2009

Porque todos têm um lado "Pollyana" de ser.


Peço, desde exatamente agora, licença...

São muitas e muitas vírgulas, eu sei. Pode cansar, sei também. Como se diz? Desgastar.
OK.
Justifico apenas o texto (não este, mas o abaixo), dizendo que, entre tantas e indesejadas interrupções, fiz a opção, otimista que sou, pela chance de ser:
vírgula

(relatos de um ser que desenvolveu certa antipatia matinal pelos pontos finais,

10 de jan. de 2009

E outra versão do começo.

Começou ali.

Pensou. Ou ele disse?
Não importa. O fato é que começou ali, naquele sofá. Ela entregou o livro para que ele passasse o tempo, esquecendo dos ares quase-que-bem-que pornográficos de um ou outro conto.

Ele gostou. A cena nunca mais repetiu, como tinham tantas vezes imaginado, mas naquele dia, aquela cena, ele lia, sorrindo.


Começou ali, portanto, o livro e seu autor como uma espécie de padrinho de um beijo que poderia, de um amor que poderia, de tudo que foi e agora acabou.

Achou engraçado, quando, fuçando as coisas durante a sua própria fossa, achou trechos dele, espalhados, contando sua dor. Era como se o autor estivesse ali, agora, no sofá do seu lado, revoltado pelo fim do relacionamento que tinha tido o gosto de abençoar.

Em sua homenagem, portanto, ou usando disso como desculpa para valer-se das palavras do autor, para extravasar seu instante, copiou, incansável, as palavras que lhe dizia.

Overdose daquele que seria, para sempre, seu melhor padrinho.

Caio Fernando Abreu - I


"Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto."

Caio Fernando de Abreu - II

“E tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.”

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "

"Mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia, ela pára e pede, preciso tanto tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era.”

"Sim, tenho vontade de me jogar pela janela, mas nunca foi possível abri-la. Não, não sei o que gostaria que você me dissesse. Dorme, quem sabe, ou está tudo bem, ou mesmo esquece, esquece.”

"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."

“Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada: (...) Claro, é preciso julgar a si próprio com o máximo de rigidez, mas não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais."

Caio Fernando Abreu - III

"Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas.
(...) Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.
(...) Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"

"(...) eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, (...)"
"(...) esse velho não vai mais incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca?(...)"

Caio Fernando Abreu - IV

"Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."

"E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar".

Caio Fernando Abreu - V

"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativas. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."

"Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível" (C.F.)


Sempre dói, mas sempre passa.

E ela sabia. Sabia e lembrava todas as vezes que doeu, sem que isso significasse absolutamente nada agora. Da última vez foi pior. Foi? Não sabia. De certa forma, lembrava o estrago (noites mal dormidas, seguidas de dias cansados, horas lentas demais, ora longas demais, nada de fome, vontade de comer o mundo. Lágrimas. Muitas lágrimas...), mas não conseguia comparar nada com o aperto que sentia agora. Hoje, seria a pior dor de sempre. Viu como passa? Não lembra a dor do estrago...

Pensar nisso, porém, (e repita-se), não estava ajudando nada. Deveria, tudo bem, - mas não estava.

E daí se estava perdida, e daí se queria tentar uma nova profissão a cada segundo, e daí se nos minutos seguintes continuava na mesma profissão, imaginando como seria se tivesse mudado no segundo anterior? As respostas não estavam nele, isso decerto. Aliás, estas respostas aparentemente não estavam em lugar algum. Exatamente como ela, vagando nesse vácuo intertemporal que inventou para passar a chuva. Você está mesmo aqui, querida? Porque me parece estar longe... em algum outro lugar. Mais uma vez: exatamente.

Perguntou-se, por fim. Se as respostas não estão em lugar algum, e eu estou em lugar algum, elas deveria estar bem por aqui........................ hum?

­Nada como mais um dia sem hipocrisias.

3 de jul. de 2008

"Abre as cortinas pra mim..."



Espera.
Escuta amor, nosso silêncio.
É o silêncio que precede a manhã,
Silêncio que vem pouco antes do anoitecer.
Escuta a ausência de som que se fez
No entre tempos dos nossos minutos
Escuta o vazio e vácuo
Escuta o nada,
e admira ao meu lado
(não precisamos do medo, ou das idéias).
E não se assuste
Se a lua vier mais perto,
Como lágrimas nos meus olhos.
Eles choram a beleza
Do silêncio que se fez
No nosso amor.

O que mais ninguém poderia oferecer...

Eis a cena*:

Ele bate na porta. Segura um copo de uísque e fala levemente embaralhado. Ela o vê do outro lado. Passa a corrente. Abre uma fresta da porta.

- O que você quer?
- Me deixa entrar.
- Não. São três da manhã.
- Abre a porta, para com isso. Sou eu, o homem com quem você quase casou.

Ele entra, a abraça forte, a segura pela cintura, faz piadinha infame sobre seu decote.
Ela está com um hobby vermelho, dá pra ver a renda branca de sua lingerie quando ela tenta se afastar.

- Uísque?
Ele aponta o bar e entrega o copo praticamente vazio.
- É isso. Um drink, e você vai embora.

Ele sorri por dentro. Vai até o balcão e serve dois copos, pouco gelo.
Vão até a varanda, ela anda na frente. Quer um pouco de ar. Ele se aproxima em seguida e respira forte em seu pescoço. Ela perde o ar, de todo jeito.

Sentem o cheiro familiar um do outro, ela o deseja, ele percebe.
Ela o evita. Fala sobre assuntos cotidianos, ele se mostra interessado em tudo que a diz respeito. Ela diz que tem um novo emprego, que está freqüentando um grupo de estudos, religião, espiritualidade. Ele faz perguntas, diz que quer saber mais a respeito, que quer conhecer tudo que a faz bem.

- Se funciona pra você, pode funcionar pra mim também, porque não?

Nesse momento, por alguns segundos, ela o olha com a mesma paixão de antes. Foram segundos, mas ele notou. Era sua deixa. Ela era sua outra vez. Ele a aperta o corpo contra o dela. Desta vez não tem espaço pra esquivar. Deslizou as mãos por dentro do hobby de seda, vermelho.

- Eu sei que você sente a minha falta. Eu sei que imagina que sou eu, quando está sozinha, no meio da noite. Eu sei que sonha em estar exatamente aqui.

Sim, era tudo verdade. Sim, ela o deseja mais do que tudo naquele momento.

Fazem amor. Ela se entrega completamente, respira cada pedaço da pele dele, se deixa tocar, e sente todo o prazer quanto seria possível caber numa mulher. Não era apenas um homem em sua cama. Era ele, e todas as suas peculiaridades, seu toque, trejeitos, olhares, sabores. Era ele mais uma vez, quando ela achava que não seriam nunca.

- Podíamos passar o resto do fim de semana aqui. Eu e você nesse quarto, fazendo amor. Vamos pedir algo delivery e não sair do quarto pelas próximas 48h!

Ele ri alto com a idéia.

- Preciso ir.
- Amanhã a noite é o encontro do grupo. Você pode vir comigo e saber mais, já que está interessado.

Agora, uma gargalhada.

- Eu? Fale sério. Eu não ligo a mínima pra droga da sua religião.
- Mas... você disse...
- Eu disse o que sempre digo: qualquer coisa para levar uma mulher pra cama.

Lágrimas de raiva escorrem em seu rosto. Ela arremessa o travesseiro.

- Cretino... Nojento! Por que eu? Me diz, por que porra logo eu??? Tantas vagabundas ai que você poderia comer, tantas mil outras mulheres gostosinhas loucas pra dar pra você! Por que não procurar uma dessas... por que você veio aqui, justamente aqui?!

E eis a resposta, em um tom sarcástico e palavras lentamente pronunciadas:

- Ah, benzinho... Mas eu não queria apenas sexo! Sim, poderia ter sexo com qualquer outra... mas hoje, precisava de algo além do sexo. Eu queria me sentir poderoso. Queria me sentir o homem mais importante do mundo. Eu queria, meu amor, me sentir grandioso, especial, único. E isso, nenhuma outra mulher no mundo poderia me dar.

Ela bate em seu rosto. Ele bate a porta.

*livre adaptação da cena de um desses seriados americanos.

Pensou que ia amá-lo sempre
E sempre estariam juntos
Pensou que sempre saberiam
Sempre acima de todas as coisas
Pensou que insistiria, sempre.
Pensou que um dia
Ia vir de branco
E iam ser dele
Os olhos sorrindo
e esperando mais a frente.
Pensou que aquele caminho
seria apenas àqueles braços.
Pensou que diria a ele
Sim, com ou sem saúde
Sim, com ou sem dinheiro
Sim, com ou sem utopias

(Mesmo que o vestido fosse algodão, e que o caminho fosse entre a sala e o quarto, mesmo sem retrato, sem convidados, sem papel, sem estrelas brilhando no céu, mesmo sem trilha sonora, mesmo sem ver certa a hora... ainda assim, seria seu o rosto ao lado, todos os dias, quando acordasse.)

"Can you see the beauty inside of me?"


O viu do outro lado da rua. De dentro do carro, sorria com os braços cruzados e apoiados sobre a janela, queixo encostado entre as mãos.
Congelou o mundo um segundo. Olhou novamente para ele. O sorriso, os olhos brilhando. Não saberia vê-lo e não amá-lo. Como se encontrariam dali pra frente?
Provava aos poucos o sabor doce das palavras que ele ainda não tinha proferido. Os gestos futuros, o som da risada. Enfeitiçava-a o êxtase do reencontro.
Talvez não devesse atravessar a rua. Voltaria, sem palavras. Ele interromperia o sorriso, mas entenderia, decerto.
Talvez não devesse atravessar a rua. Abaixaria a cabeça e subiria novamente as escadas, resguardando-se de tudo que dói, de tudo que ama, de tudo que é sobra de uma amor que não passa.
Talvez não devesse atravessar a rua. Deixá-lo para trás de uma vez, esquecer seu rosto e seu sorriso e não passar as próximas noites, não passar todas as noites a partir daquela noite esperando: por aquele sorriso, por aqueles olhos, por aqueles braços cruzados e apoiados no carro, do outro lado da rua.

"They’re advertising in the skies, for people like us..."

Ela o amou à primeira vista. Seus olhos se encontraram e foi sugada. Encarava meio encantada, paralisava no som macio da voz ou no brilho estranho do olhar ou no que mais que houvesse demais que envolvesse aquele sorriso. O barulho perfeito de sua pausa. O contorno das mãos e os gestos híbridos, oscilantes entre vagos e precisos. Sua presença a fazia desejar ser mais.
Com o tempo, amou suas idéias. Concentrava-se na velocidade de seus pensamentos, zig-zags soltos e coordenados a faziam querer não ser: morrer e nascer idéia –criada, pensada, inventada por ele. Rica, veloz, ensurdecedora.
Foi quando amou seu coração. Amou cada uma de suas extensões: as trezentas mil preocupações constantes, a vontade de amar mais e mais o mundo, o valor imenso dos gestos sinceros.
Antes de dormir, escolhia ouvi-lo falar. Falava por uma abraço apertado e forte, enforcante. Falava com mordidas, quase sempre na orelha esquerda. Falava quando deslizava os dedos sem perceber pelos seus cabelos. Suas falas eram as mais lindas não-palavras.
Amou, não menos, seu corpo. Amou sua boca e o beijo intenso, amou seu jeito de respira-la como se ela fosse o pouco oxigênio que restasse no planeta. A respiração em seu pescoço. Beijo na nuca, mãos, abraço. As vezes o abraço era tão forte, que não havia vácuo. Eram eles e mais nada.
Amou tanto e de tal forma, que se sentia dissolvendo, extravasando, desaparecendo no amor.
Ela sempre pensou que o amor fosse dela. Era ela, que pertencia e desfalecia no amor.

"Every time you give yourself away, it comes back to haunt you..."


Corra. Se a distância fosse a resposta para todas as portas que nos separam, se o dia fosse mais curto, se o beijo fosse mais longo, se estar a seu lado não representasse abandonar tantos pedaços meus pelo caminho e se ainda assim fosse possível querer e deixar. Se cada vírgula não fosse um deslize, se cada música não fosse esperada, se o meu sorriso não fosse tão triste, se as idéias não abrissem abismos. Se a felicidade fosse a mulher da esquina e todos os outros fossem gotas de chuva em dias cinzas (como hoje), se não viesse essa vontade de chorar de repente. Se você acordasse querendo me ver. Se um de nós correr. Se.

"Agora era fatal que o faz de conta terminasse assim..."



Comprei um reinado colorido e enfeitei com bolas de sabão.
Comprei um castelo, coroa, vestido. Comprei uma praia deserta e trilha sonora, comprei chocolates e tudo mais que te trouxesse um sorriso. Uma caixa com infinitos beijos, um travesseiro que velava os sonhos. Comprei as mais loucas e lindas idéias e trabalhei-as todas, com as pontas dos dedos.
Ai, sempre fui muito rica quando era o amor a moeda corrente!

Saudade,
Tonta!
Vê se conta
Outro verso de dormir
Porque a velha música,
Saudade,
Já não toca aqui.

15 de dez. de 2007

"Amo tanto e de tanto amar..."



- “Me perdoa.”
Ele tem esse jeito todo especial de pedir desculpas. É até difícil de explicar, mas cada vez que fala assim comigo, penso com meus botões: ainda tenho muito que aprender em nessa matéria...

É que tem essas horas que ele fala com o coração, como se nada mais existisse. Sem orgulho, sem raiva, sem rancor. E quando ele me abraça, e fala baixinho que sente muito, e quando eu sinto o coração dele batendo pertinho, eu sei que é verdade e sei que meu perdão, por mais difícil que possa parecer pra mim, é válido e será recompensado.
Foi uma briga meio feia, eu sei. E por uma bobagem, talvez. Ainda assim, aprendi que não devemos relevar sentimentos, oculta-los no fundo do baú, especialmente quando eles se referem às pessoas que mais amamos.

Discutimos. Eu me excedi, acho que ele se excedeu, fiquei triste, senti raiva, quis chorar (quis? Rs.), bater, sair correndo pra bem longe...

Mas engoli o orgulho e tudo mais que seria contrário ao amor e pedi, por favor, desculpas. (Sim, ambos erramos, ambos soobemos disso, afinal).
- “Temos que aproveitar o fato de que nos amamos tanto assim para crescermos juntos. Ouvir as críticas um do outro com maturidade e pensar sobre elas... quem sabe mudar...”

Há muito tempo eu não ouvia nada tão lindo. Tão real. Tão exatamente o que eu teria dito, o que eu penso disso tudo.

Não é fácil mudar. Não é fácil encarar os próprios defeitos – sentimos vergonha, raiva, medo de perder ou magoar quem amamos e o tentamos esconder de nós mesmos que temos, sim, defeitos, imperfeições, incoerências...

Mas se é este o caminho que escolhemos, de crescer, evoluir, sermos mais pacientes, altruístas, honestos com nós mesmos... Enfim, sermos pessoas melhores neste mudinho complicado, melhor que tenhamos do nosso lado o amor.

E melhor ainda que esse amor seja grande o suficiente para criticar e encerrar discussões com beijos e um abraço apertado, que seja mais forte que os nossos defeitos, a nossa intolerância, o medo e a insegurança que carregamos, ainda que sem querer.

Que seja um amor que saiba dizer:
– “cuide de mim, que eu cuido de você”.

Tive uma semana de frases de efeito. Sinto que elas vão ficar comigo por um longo tempo. Eu sempre gostei de palavras. Estou aprendendo a me apegar as positivas, e não me deixar enganar por más interpretações.

Acima de tudo, é amor demais que carrego. E nada ensina mais que o amor.