5 de abr. de 2006

"Mas o vento mudou a direção..."

E olha, não me pede pra achar os caminhos...!
Sou venusiana,
exata e diretamente de Vênus
onde as ruas são marcadas
por setas coloridas,
tijolos dourados,
ou migalhas de pão.

Não, não me peça
pra entrar na rua certa,
lembrar qual
dentre as trinta e cinco opções
me levam pra você,
sua casa,
seu coração...

Meu caminho,
alinear,
faz voltas e revoltas,
gira em torno de respostas,
não faria qualquer sentido pra você
Isso eu bem sei...

Mas não me peça pra entender
ou decorar
se é direita ou esquerda
a mão, contramão
Se posso, ou não
seguir por aqui

Não me pede pra acelerar
quando não conheço de cada adversidade
desse caminho pra você
Não, não vou arriscar
rodopiar descontrolada e no final
Tonta.

Agora, se quiser,
Te dou as chave do carro
Deixo que guie,
Controle a mudança de cada marcha
E te acompanho
Com palavras
Olhares

Vou saboreando
cada segundo
das suas mãos
no voltante
ou de leve
em minha perna

Dirige sim,
suas estradas e esquinas...
Leva o meu carro
e me dá o prazer
de observar seu caminho.

Dirige sempre...
Eu confio
Obedeço
Estremeço
E sorriu.

28 de mar. de 2006

Encanto.

É exatamente assim que fico:
Com medo de pular de uma vez
no oceano escuro do meu lado,
com medo de molhar os pés
ou a alma
E ser um mergulho sem volta.

Mal baixo a cabeça
pra não te perder
Esperando que os coqueiros
se transformem no seu corpo
Que meus cabelos
Voem o suficiente
Como sinalizadores pra você.

Ah, letras tortas,
Shorts brancos que me enganam
Trapaceando com meus olhos
E sentidos
Enganado meu coração
Já apertado

Se eu pudesse apenas
Te puxar com meus olhos
Te atrair com meu cheiro
Ou meu canto
Como sereia
Desviando seu navio
Para meus braços

Quase involuntariamente
Você viria,
sorrindo e cego
Como é cego o meu amor
Você seria,
Encantado,
Persuadido apenas em minha direção

Ai que já me dói a espera
Te procurar na calçada
Entre os carros na rua
Querer mudar o vento,
Que vai pro mar e me chama
Naturalmente.

Correndo...

O sol vai embora
E você
Perdendo aos poucos
A chance de me ter aqui,
Menina comportada,
Te esperando

Fotografando impaciente
Cada sinal,
Cada vulto
Minimamente semelhante;
Me perguntando sozinha:
Será que você me alcança?

E finjo não ouvir
Quando o mar grita pelo sol
O sol desce e me sussurra:

- Não, ele não vem mais...

Ou então, em sua corrida,
passou direto por meus olhos
Perdeu seus sinais
Passou por trás da cidade
Pra não ouvir mais chamar...

Ah... Vida longa aos que correm na direção que escolheram.

Deixa a noite chegar...

Só o frio.

Meu corpo, arrepiando,
confessa agora:

- Você não veio.

E ainda espero,
sem lágrimas, sem sossego
inquieto o coração, que
Sabe-se lá porque,

Ainda espera,
apesar de saber...
Já passou.

24 de mar. de 2006

"Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei..."

Cansada de perguntas e respostas...

Ultimo Grão
Isabela Taviani

Não demora agora,
há tanto pra gente conversar
Eu desejo e vejo, a rua você atravessar
e os seus passos largos já não incomodam
não te acompanho mais, caminho do meu modo
teus olhos turvos poucos sinceros
não me atormentam quanto mais eu enxergo

Eu e você podia ser
mas o vento mudou a direção
Eu e você e essa canção
pra dizer adeus ao nosso coração

ta na minha frente, não se perturbe
verdade é pra falar
sei que vai morrer um pouco
mas ainda há tanto pra lembrar
o seu sorriso lindo, indefinido
suas mãos tão quentes, atravessando o meu vestido
palavras que falavamos, simultaneamente
no meu ouvido, o teu discurso indecente

Eu e você podia ser, mas o vento mudou a direção
Eu e você e essa canção pra dizer adeus ao nosso...

As vezes o amor escorre como areia entre os dedos
não tem explicação pra tantos erros
é melhor partir antes do último grão cair

Eu e você podia ser, mas o vento mudou a direção
Eu e você e essa canção, pra dizer adeus ao nosso, ao nosso
coração.

19 de fev. de 2006

Da turbulência do mundo e dos compromissos...

Safena
(Elisa Lucinda)

Sabe o que é um coração
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.

Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pitos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões

Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo

Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate

O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.

"Anoiteça e amanheça eu..."

Intimidade

Você ao meu redor
Domina as idéias
Descontrola pensamentos
Tormentos

- Deixa o dia assim!
Só pra mim...
Só dessa vez

Aceita
ser refém de meu amor
amarra em meu cabelo
acorrenta em meus braços
cola em minha boca

Deixa
ser todo meu
todo o dia
tranca seus olhos
nos meus
perde a chave
do carro
de todos os contatos
desliga, desconecta

Aceita
ser mandado
a só me amar
Briga, perde,
esquece os compromissos
não me importa
fecho a porta
definitivamente
e por um dia
Te seqüestro.

(esperando resgate, pago ainda em beijos...)

E veio o sol....

Faço minhas as suas

Digitais
(Isabella Taviani)

Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso
Mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido
E te liguei
Me encontro tão ferida, mas te vejo aí também em carne viva
Será que não tem jeito?
Esse amor ainda nem nasceu direito pra morrer assim

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo
É que eu não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos seus dedos minhas digitais
Não vou voltar atrás
Apague da cabeça, o meu nome, telefone e endereço
Não vou voltar atrás
Arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos

Me mata essa vontade de querer tomar você num gole só
Me dóis essa lembrança das suas mãos em minhas costas
Sob o sol da manhã
Você jã me dizia: Conheço bem as suas expressões
Você já me sorria ao final de todas as minhas canções
Então por quê?

Tear dropping, rain dropping

17 de fev. de 2006

"Ah, você é cheia de estorinhas...."

E você diz que te incomodam essas minhas “tantas estorinhas”...
Você, que pensa tanto em tantas outras paixões...
Te conto uma estória: foi bem a nossa que você deixou de viver. E de tantas, tão variadas estórias felizes (acabadas ou não, iniciadas ou não) foi justamente a nossa que ficou metade, que esfriou (até congelar!), parou no tempo. Fez-se triste.
Ah, estória essa, tão linda e nossa, de uma paixão inesperada que passou montanha, vento, atravessou rio, cachoeira... Sobreviveu outro amor só pra ser mais forte, intensa. Paixão que, de medo, virou deserto – quase nos mata de sede, faz procurar água em outro lugar (busca vã, tive certeza), leva parcela do brilho dos olhos... de tão seco que foi o deserto de você longe de mim.
Paixão que soube ser enchente em um deserto seco, ainda quente, mas de outro calor... Quente de presença, cheiro, gosto, quente dos encontros todos, de pensar em ser amor.Ah, muito linda sim foi nossa estória, e foi passando por mim e até por você, que sabe lá porque, não quis ver, saber... viver.
Apenas deixou a chuva virar orvalho (no meu amor “de cinema” – uma pena), gotas de lágrimas que caíram e se foram junto com tanto carinho, tanta admiração, junto com todo o enredo. Junto com om todo o enredo. Junto com toda a estória.

7 de fev. de 2006

"Procura-se um amor que goste de cachorros..." Ou um cachorro que goste de amor...? :)



BROWN PENNY
William Butler Yeats

I whispered, 'I am too young,'
And then, 'I am old enough';
Wherefore I threw a penny
To find out if I might love.
'Go and love, go and love, young man,
If the lady be young and fair.'
Ah, penny, brown penny, brown penny,
I am looped in the loops of her hair.

O love is the crooked thing,
There is nobody wise enough
To find out all that is in it,
For he would be thinking of love
Till the stars had run away
And the shadows eaten the moon.
Ah, penny, brown penny, brown penny,
One cannot begin it too soon.

1 de fev. de 2006